A força da construção na geração de empregos
As projeções para o crescimento da economia em 2022 e 2023 começaram a perder força e, mais uma vez, a Construção Civil surge como o segmento que pode ajudar o país a dinamizar as suas atividades. Justificam essa expectativa positiva os dados do seu mercado de trabalho.
A indústria da construção não apenas continua gerando novos empregos formais, mas também com salário médio de admissão superior ao nacional, segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência, via Novo CAGED.
De janeiro a agosto deste ano, o setor foi responsável pela criação de mais de 237 mil novos postos de trabalho formais. O número de trabalhadores com carteira assinada passou para 2,5 milhões, melhor patamar observado na nova série do CAGED, iniciada em janeiro de 2020 e divulgada pelo Ministério.
Em 12 meses, o segmento contabilizou a geração de mais de 288 mil novas vagas, o que representou 1.138 novos postos de trabalho com carteira assinada criados por dia útil.
Todos os estados brasileiros, com exceção de Roraima (-294), registraram resultados positivos no acumulado dos oito meses do ano no mercado de trabalho formal da construção. Os maiores geradores de novos empregos no período foram: São Paulo, com 61.756 novos postos de trabalho formal; Minas Gerais, com 40.518; Paraná, com 15.943; Santa Catarina, com 14.967; Bahia, 11.501, e Pará, com 11.219 novas vagas.
Analisando as séries históricas do CAGED e Novo CAGED, observa-se que, até 2019, o melhor período de janeiro a agosto no mercado de trabalho da Construção Civil foi em 2012, quando 256.343 novos empregos foram gerados.
Quanto a 2020, a série do Novo CAGED demonstra que, nos primeiros oito meses do ano passado, o resultado foi positivo em mais de 53 mil novas vagas, o que é justificado pelo desempenho dos meses de março, abril e maio daquele ano, período inicial da pandemia do novo coronavírus no Brasil.
Setor quadriplica números de novas vagas
De janeiro a agosto de 2021, o saldo (diferença entre o total de admitidos e o total de desligados) de novas vagas com carteira assinada criadas no setor foi de 237.985, ou seja, mais de quatro vezes superior ao ano passado.
Só no mês de agosto foram geradas cerca de 32 mil novas vagas formais na construção em todo o País, resultado da diferença de 175.603 admissões e 143.598 demissões. Este foi o terceiro melhor resultado em 2021. Ficou atrás apenas dos meses de janeiro, com 43.927, e fevereiro, com 44.133.
Salários acima da média
Na avaliação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), outro ponto positivo no mercado de trabalho do setor é o salário médio de admissão superior ao observado em outros segmentos.
Em agosto, o salário médio de admissão do trabalhador formal da construção foi de R$ 1.843,79, superior à média nacional, que é de R$ 1.792,07, e também maior do que o valor da Indústria Geral que é de R$ 1.755,22; da Indústria de Transformação, de R$ 1.733,85 e do Comércio, de R$ 1.544,73.
No segmento de Serviços, a referida média correspondeu a R$ 1.947,92, conforme informações do Novo CAGED divulgadas pelo Ministério do Trabalho.
Esses dados contribuem para demonstrar a importância da Indústria da construção na economia brasileira. Ou seja, mesmo diante das incertezas do cenário atual, caracterizado por inflação persistente, com destaque para o aumento nos custos com materiais de construção, taxa de juros em elevação, incertezas fiscais e redução das estimativas de crescimento da economia nacional no próximo ano, o setor segue gerando novos postos de
trabalho com carteira assinada, contribuindo para ajudar o país a superar as suas dificuldades no mercado de trabalho.
“Novamente a Construção Civil contribui para dinamizar o mercado de trabalho no país. Num momento onde se contabiliza mais de 14 milhões de desempregados, os resultados do setor ganham especial importância”, salienta o presidente da CBIC, José Carlos Martins.
“Cada R$ 1 milhão investido na construção é capaz de criar 18,31 postos de trabalho considerando-se os impactos diretos, indiretos e induzidos”, ressalta a economista do Banco de Dados da CBIC, Ieda Vasconcelos.
Mercado de trabalho do setor poderia estar melhor
Em agosto, o setor voltou a registrar resultados positivos no seu mercado de trabalho formal, contabilizando oito registros favoráveis consecutivos.
Apesar disso, há capacidade desse resultado ser muito superior. “Todos sabem que os números positivos apresentados pelo mercado de trabalho da Construção Civil nos primeiros oito meses do ano poderiam ser ainda melhores caso o setor não tivesse enfrentado, há mais de um ano, os desafios da elevação do custo com os insumos básicos da construção. A construção é como uma Ferrari, com o freio de mão puxado”, salienta Martins.
Empresários mantêm perspectivas positivas
À respeito dos aumentos dos preços dos insumos, as expectativas dos empresários do setor, para o nível de atividade, novos empreendimentos, compra de insumos e matérias-primas e número de empregados continuaram positivas em setembro, apesar de recuarem em relação a agosto.
A avaliação está baseada nos resultados da Sondagem Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O que isso significa? Traduz a esperança dos empresários da construção de crescimento para essas variáveis nos próximos seis meses. Uma das razões deste cenário é a disponibilidade de crédito imobiliário. Segundo os dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), de janeiro a agosto de 2021, foram financiados, com recursos da poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), 589,42 mil imóveis, o que correspondeu a 148,7% de aumento em relação a igual período do ano anterior (237,02 mil).
Nesta mesma base de comparação, o montante financiado foi de R$ 136,84 bilhões, o que representou alta de 107,7% em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 65,89 bilhões).
Importante destacar que a demanda pelo crédito imobiliário está forte e deverá continuar assim. Desde o início da pandemia, as famílias ressignificaram o valor da moradia, valorizando ainda mais o seu espaço. Mesmo diante dos aumentos observados na taxa de juros (Selic), espera-se que as taxas do crédito imobiliário continuem atrativas e melhores do que as observadas em um passado recente. Assim, a demanda por imóveis deverá continuar aquecida.